O título hebraico é Shir ha-Shirim, que significa "O Cântico dos Cânticos" (o melhor, o supremo). É uma obra-prima poética que celebra o amor romântico e a atração física entre um homem (o Rei/Pastor) e uma mulher (a Sulamita).
Durante séculos, judeus e cristãos tiveram dificuldade em lidar com a sensualidade explícita do texto. Por isso, a interpretação histórica focou na alegoria: o amor de Deus por Israel ou de Cristo pela Igreja. Mas não podemos ignorar o sentido literal: Deus criou o sexo e o casamento, e dedicou um livro inteiro da Sua Palavra para celebrar a beleza dessa união sem vergonha ou culpa.
"Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu."CANTARES
A teologia de Cantares é a redenção da Intimidade.
1. A Santidade do Corpo:
Diferente do pensamento grego (que via o corpo como mau e o espírito como bom), a Bíblia celebra o corpo físico como criação divina. Cantares descreve o prazer mútuo como algo sagrado. Deus se importa com o "toque", não apenas com o "pensamento".
2. O Fogo de Yahweh:
No clímax do livro (Ct 8:6), o amor é descrito como "a chama do Senhor" (literalmente, Shalhevetyah). É a única vez que o nome de Deus aparece, sugerindo que o amor humano verdadeiro é uma faísca do próprio Fogo divino. O amor é forte como a morte porque vem Daquele que venceu a morte.
3. A Alegoria Divina:
Num nível espiritual, o livro nos ensina que Deus não quer apenas nossa obediência servil; Ele quer nossa paixão. Ele é o Noivo que atravessa montanhas para encontrar Sua Noiva. A vida cristã é um romance, não apenas uma religião.
Onde Cantares encontra você hoje?
1. Na Restauração da Sexualidade:
Vivemos num mundo que distorceu o sexo, tornando-o vulgar ou vergonhoso. Cantares nos encontra para curar nossa visão. Se você carrega culpa ou traumas nessa área, este livro mostra o padrão original de Deus: jardim fechado, seguro, belo e prazeroso. Ele valida seu desejo.
2. Na Frieza Espiritual:
Às vezes, nossa relação com Deus vira rotina burocrática. Cantares acende a chama de novo. Quando a noiva diz "Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu", ela nos convida a sair da teologia seca e entrar na experiência viva do amor de Deus. É um convite para se apaixonar por Jesus novamente.
3. Na Insegurança com a Aparência:
A Sulamita diz: "Não olheis para mim por ser morena (queimada do sol)... os filhos de minha mãe se indignaram contra mim". Ela se sentia inadequada, mas o Rei a chama de "toda formosa". O livro cura nossa autoimagem, lembrando que a beleza verdadeira é definida pelo olhar de amor de quem nos escolheu.